Os Vermelinhos do Tietê – A História do Clube À Beira do Rio

A história do Clube de Regatas Tietê começa no ano de 1907, quando foi fundado por Victor Leite Mamede e Júlio Ribeiro. A trajetória é curiosa, já que o Tietê só foi fundado, pois os dois foram desligados do Clube de Regatas São Paulo e tiveram o apoio de um grupo de remadores para iniciar uma nova agremiação.

As cores do C.R. Tietê são vermelho, branco e preto, e eram carinhosamente chamados de “vermelinhos”. O remo, aliás, merece um destaque especial antes de continuarmos a contar a história do Tietê. Esse esporte teve uma relação muito forte com o desenvolvimento esportivo do Brasil, sendo que os quatro grandes clubes de futebol do Rio de Janeiro foram criados em função das regatas.

Na cidade de São Paulo, o Rio Tietê foi o berço de diversos clubes voltados a essa modalidade, além das provas de natação e saltos ornamentais. É preciso entender que estamos falando do século XIX, tempo em que o Rio Tietê era uma importante via de acesso a diferentes pontos da cidade e também um bom acesso ao interior paulista.

O Rio Tietê possui diversas pontes em seu curso. Mas a Ponte Grande, atual Ponte das Bandeiras, situada na Chácara Floresta (hoje o Clube Espéria) é o berço do esporte em São Paulo.

Nessa região, diversos clubes começaram a surgir com o remo como a principal modalidade. Diversas agremiações tradicionais surgiram praticamente juntas, como: Clube de Regatas Tietê, Clube Espéria, Associação Atlética São Paulo, Clube Esportivo da Penha, Clube de Regatas São Paulo, Associação Atlética Palmeiras, Associação Atlética São Bento (extinto), Esporte Clube Sírio, Portuguesa de Desportos e o S.C. Corinthians Paulista.

Esses clubes foram responsáveis pelo surgimento de grandes atletas, como a nadadora Maria Lenk, oriunda do C.R. Tietê. Os esportes aquáticos foram os que mais influenciaram na região e a primeira competição de remo realizada no Rio Tietê aconteceu em 1903, patrocinada pelo Clube Espéria.

Clubes de Regatas Tietê
Clubes de Regatas Tietê

Ela aconteceu devido à dificuldade de locomoção dos barcos e atletas para as praias de Santos, onde originalmente aconteciam as regatas. E foi uma competição, basicamente, entre os remadores do Espéria e atletas santistas, já que outros clubes à margem do Tietê ainda não tinham suas equipes organizadas.

A partir de uma melhor organização das equipes, surgiu no remo uma grande rivalidade entre Espéria e Tietê.

As vitórias do Tietê, os vermelhinhos, sobre o rival eram comemoradas com tiros de festim dados por um canhãozinho voltado para o lado “esperiota”. Já os azuis do Espéria comemoravam dando “bananas” a seus adversários.

As competições de natação eram realizadas na região da Ponte Grande e o espaço era delimitado por flutuadores e cordas, sem raias. As provas variavam entre 100 e 350 metros, mas também existia a travessia do Tietê, de 5.500 metros. Essa distância compreende o percurso entre a Ponte das Bandeiras e a Ponte da Vila Maria.

Posteriormente, outros esportes proliferaram nos clubes ribeirinhos com destaque para futebol, atletismo, tênis, basquetebol e patinação. Infelizmente, hoje o Rio Tietê nada tem a ver com aquele Rio que gerou tantas alegrias aos esportistas paulistanos. Ladeado pela “famosa” Marginal do Tietê, ele tornou-se um esgoto a céu aberto onde poucos dos antigos clubes sobrevivem.

Mas as lembranças de um época não podem ser esquecidas. No Parque Ecológico do Tietê há um pequeno museu onde se pode apreciar um pouco desta história esportiva do Rio Tietê.

Além da renomada nadadora Maria Lenk, o Tietê revelou a tenista Maria Esther Bueno, tricampeã de Wimbledon em 1959, 1960 e 1964 e o nadador Abílio Couto, recordistsa mundial da travessia do Canal da Mancha.

Infelizmente, devido a má administração e brigas com a Prefeitura, o clube encerrou as atividades em novembro de 2012. O terreno, que era cedido pela Prefeitura de São Paulo, voltou à administração municipal. Em abril de 2013, o prefeito Fernando Haddad publicou um decreto criando o Centro Esportivo Tietê, que passa a integrar o Programa Clube Escola. No local do antigo clube está prevista a construção do Memorial do Clube de Regatas Tietê, com o objetivo de preservar troféus, medalhas e parte da história desse centenário clube paulistano.

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